Vantagens tributárias e riscos jurídicos da holding médica com a Reforma Tributária de 2026.

 

 

Entenda como funciona a holding médica, suas vantagens tributárias, riscos jurídicos e os impactos da Reforma Tributária a partir de 2026.

A holding médica consolidou-se, nos últimos anos, como uma das principais ferramentas de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para médicos, clínicas e grupos de saúde.

No entanto, o cenário jurídico e fiscal brasileiro passa por uma transformação profunda com a Reforma Tributária prevista para 2026, exigindo uma reavaliação criteriosa dessas estruturas.

O que antes era visto apenas como vantagem fiscal, agora precisa ser analisado sob a ótica da legalidade, da substância econômica e da governança.

O QUE É UMA HOLDING MÉDICA
e por que ela é utilizada

Antes de entender os impactos da reforma tributária nas holdings médicas, você precisa saber que a holding médica é uma pessoa jurídica criada com o objetivo de centralizar participações societárias, bens patrimoniais e, em alguns casos, a gestão administrativa de clínicas, consultórios e imóveis utilizados na atividade médica.

Ela pode assumir caráter patrimonial, quando concentra imóveis e bens, administrativo, quando participa da gestão das empresas operacionais, ou misto, combinando ambas as funções.

Sua principal finalidade é organizar o patrimônio, facilitar a sucessão e permitir uma gestão mais profissional e segura dos ativos.

VANTAGENS TRIBUTÁRIAS
historicamente associadas à holding médica

Entre as principais vantagens, destaca-se a possibilidade de planejamento sucessório em vida, reduzindo custos e conflitos decorrentes do inventário.

Outro ponto relevante é a organização patrimonial, separando bens pessoais dos riscos inerentes à atividade médica, que é naturalmente exposta à responsabilidade civil.

Além disso, a distribuição de lucros entre pessoas jurídicas e pessoas físicas sempre foi um fator de atratividade, especialmente diante da histórica isenção do Imposto de Renda sobre dividendos.

REFORMA TRIBUTÁRIA 2026:<br /><strong>o que muda para as holdings médicas</strong>

REFORMA TRIBUTÁRIA 2026:
o que muda para as holdings médicas

A Reforma Tributária traz mudanças estruturais que impactam diretamente as holdings médicas.

A substituição de tributos como ISS, PIS e COFINS pelo IBS e pela CBS altera a lógica da tributação sobre serviços.

Além disso, o debate sobre a tributação de dividendos volta com força, o que pode afetar diretamente planejamentos baseados exclusivamente na economia fiscal.

Estruturas artificiais, sem atividade econômica real ou sem propósito negocial claro, passam a ser alvos prioritários da fiscalização.

PRINCIPAIS RISCOS JURÍDICOS
da holding médica

Um dos maiores riscos é a desconsideração da personalidade jurídica, quando a holding é utilizada apenas como instrumento de blindagem fictícia.

Há também risco de autuações fiscais por simulação, especialmente quando não há separação efetiva entre patrimônio pessoal e empresarial.

Planejamentos sucessórios mal estruturados podem gerar conflitos familiares, disputas societárias e judicialização prolongada.

Por isso, sempre é importante procurar advogados especialistas para não perder tempo, dinheiro e principalmente, achar que está protegido sem de fato estar. 

 

 

Autores do artigo:

Rafael Suaid Ancheschi (OAB/SP 274.181) - rafael@suaidanchesci.com.br

Leticia Suaid Ancheschi (OAB/SP 356.750) - leticia@suaidanchesci.com.br

Conclusão

A holding médica continua sendo uma ferramenta legítima e estratégica, mas deixou de ser uma solução automática.

Com a Reforma Tributária de 2026, apenas estruturas bem fundamentadas, com governança, contratos sólidos e acompanhamento jurídico constante, tendem a resistir ao novo ambiente fiscal.

Buscar orientação jurídica especializada deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade estratégica.

Conclusão