Cancelamento de consulta: direitos do médico, cobrança permitida e limites legais

O cancelamento de consultas e procedimentos por parte dos pacientes é uma realidade frequente na rotina de clínicas e consultórios médicos e ainda um assunto controverso perante o conselho de medicina.

Faltas sem aviso prévio, desistências de última hora e cancelamentos reiterados geram prejuízos financeiros, desorganizam a agenda e impactam diretamente a sustentabilidade da atividade médica.

Diante desse cenário, é fundamental compreender quais são os direitos do médico, trazidos por pareceres do Conselho de Classe, e quais cuidados jurídicos devem ser adotados para evitar conflitos e questionamentos judiciais.

 


O cancelamento de consulta e a relação médico-paciente

A relação entre médico e paciente é reconhecida juridicamente como uma relação de consumo, o que impõe deveres a ambas as partes.

Embora o paciente tenha o direito de cancelar consultas e procedimentos, esse direito não é absoluto e deve ser exercido de forma responsável, respeitando as regras previamente estabelecidas pelo profissional ou pela clínica.

Quando o cancelamento ocorre de maneira abusiva ou sem observância das condições informadas, pode surgir o direito do médico à cobrança.

O MÉDICO PODE
cobrar consulta cancelada pelo paciente?

Sim, o médico pode cobrar pela consulta ou procedimento cancelado, desde que existam regras claras e previamente informadas ao paciente.

A cobrança é juridicamente aceita quando o cancelamento ocorre fora do prazo mínimo estabelecido ou quando há ausência injustificada, conhecida como no show.

Para que a cobrança seja válida, é indispensável que o paciente tenha ciência prévia da política de cancelamento adotada.

A IMPORTÂNCIA
da política de cancelamento clara e transparente

A política de cancelamento deve ser objetiva, acessível e facilmente compreensível.

Ela pode prever prazos mínimos para cancelamento, percentuais de cobrança e hipóteses de isenção, como situações de força maior devidamente comprovadas.

A ausência dessa política fragiliza a posição do médico e dificulta a cobrança em caso de questionamento judicial ou administrativo.

CANCELAMENTO
de procedimentos médicos e prejuízos maiores

Em procedimentos médicos, especialmente aqueles que demandam preparo prévio, reserva de equipe ou bloqueio prolongado de agenda, o impacto do cancelamento é ainda mais significativo.

Nesses casos, a cobrança por cancelamento tardio tende a ser ainda mais justificada, desde que proporcional e informada previamente ao paciente.

A jurisprudência tem reconhecido o direito à indenização quando o cancelamento gera prejuízos concretos ao profissional.

Limites legais para a cobrança em caso de cancelamento de consulta

Embora a cobrança seja permitida, ela deve respeitar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.

Cobranças abusivas, desproporcionais ou sem previsão contratual podem ser consideradas práticas indevidas e gerar ações judiciais por parte do paciente.

O valor cobrado deve refletir o prejuízo efetivamente sofrido, evitando caráter punitivo excessivo.

CANCELAMENTO
por motivo de saúde ou força maior

Situações excepcionais, como emergências médicas, acidentes ou eventos imprevisíveis, devem ser tratadas com cautela.

Nesses casos, a cobrança pode ser afastada ou flexibilizada, especialmente quando o paciente comprova a impossibilidade de comparecimento.

A adoção de critérios equilibrados contribui para a manutenção da boa-fé na relação médico-paciente.

COMO FORMALIZAR
a política de cancelamento de consulta de forma segura

A política de cancelamento pode ser formalizada por meio de contrato de prestação de serviços, termo de ciência assinado pelo paciente ou cláusula destacada em formulários de atendimento.

Também é recomendável que a política seja divulgada em canais visíveis, como recepção, site e mensagens de confirmação de consulta.

A formalização adequada reduz conflitos e fortalece a segurança jurídica do médico.

O papel da assessoria jurídica preventiva

A elaboração de políticas de cancelamento e contratos personalizados deve contar com apoio jurídico especializado.

Cada clínica possui uma realidade própria, e regras genéricas podem não atender às necessidades específicas do serviço prestado.

A assessoria preventiva ajuda a equilibrar os direitos do médico e do paciente, evitando litígios desnecessários.

Conclusão

O cancelamento de consultas e procedimentos pelo paciente não significa, automaticamente, prejuízo inevitável ao médico.

Desde que haja política clara, transparente e proporcional, é possível realizar a cobrança de forma legal e segura.

Para estruturar regras adequadas e proteger sua atividade profissional, procure advogados especializados em Direito Médico e tire suas dúvidas.

 

Autores do artigo:
Rafael Suaid Ancheschi (OAB/SP 274.181) - rafael@suaidanchesci.com.br
Leticia Suaid Ancheschi (OAB/SP 356.750) - leticia@suaidanchesci.com.br

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